Castelinho (Quinta da Torrinha)

Da Memória da Universidade

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Fachada principal do 'Castelinho'. (Foto: A. M. Pascoal, Cortesia FF)

'Castelinho' (Quinta da Torrinha). Edifício oitocentista pertencente à antiga Quinta da Torrinha, comprada pela Escola de Farmácia no século XX. Local.: Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa. Coord.: 38° 44' 52" N, 9° 9' 18" OLatitude: 38.747877
Longitude: -9.155061
. Tutela: Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa. Arquitecto/Autor: Desconhecido. Constr.: c. 1892; 1914/1916. Página Web: http://www.ff.ul.pt/. Assunto: Património Histórico, Científico e Artístico da Universidade de Lisboa.

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Enquadramento institucional e legal

O edifício do ‘Castelinho’ pertence à Faculdade de Farmácia (FF), embora não exista qualquer referência ao mesmo nos seus estatutos (Despacho nº 4646/2009, Diário da República, 2ª série, nº 26, 06-02-2009).

Nota histórica e descritiva

O edifício correntemente designado como ‘Castelinho’ é uma das construções que actualmente subsistem da Quinta da Torrinha, cujos terrenos foram adquiridos pela Escola Superior de Farmácia em 1920. O ‘Castelinho’, casa de habitação agrícola, remonta ao séc. XIX, tendo em 1892 sido aprovado o seu projecto de construção apresentado pelo então proprietário, José Simões Ferreira Machado. No entanto, apenas recebeu a fisionomia revivalista que hoje apresenta com o proprietário Augusto de Albuquerque, já na primeira década do séc. XX. Desconhece-se a colaboração de arquitectos na elaboração de ambos os programas.

A Escola Superior de Farmácia, desde 1911 funcionando em instalações anexas à Faculdade de Medicina no Campo Santana, foi a primeira escola a adquirir terrenos no local que viria a constituir a futura Cidade Universitária. As condições lectivas na Faculdade de Medicina eram dispersas e insuficientes, sendo urgente uma instalação definitiva, própria e adequada ao ensino moderno. A 10 de Maio de 1919, o Governo autorizou a contracção de um empréstimo no valor de 500.000$ para a compra da citada Quinta e construção de um edifício; em Fevereiro do ano seguinte, a Escola adquiriu os 38.000 m2 de terreno por 225 contos.

Embora se tenha constituído uma comissão para o estudo da construção do edifício escolar, da qual resultaram projectos do arquitecto Amílcar da Silva Pinto (Colecção de Aguarelas), rapidamente se concluiu que o empreendimento acarretava demasiadas despesas para que fosse imediatamente concretizado – nomeadamente problemas na recepção do crédito e aumento inesperado do preço dos materiais de construção. Em adição, a ocupação e supressão de terrenos por parte da Câmara Municipal levaram ao definitivo embargo da planeada construção.

Desta forma, as aulas de Farmácia decorreram até aos anos 70 na moradia, sucessivamente adaptada e equipada. Refira-se que apenas em 1968 a Escola, que em 1921 passara a Faculdade, foi requalificada como tal, devido à extinção das Faculdades de Farmácia em 1932.

O exterior do edifício assemelha-se a um castelo, dotado de ameias, uma pequena torre e janelas ogivais. O proprietário Augusto de Albuquerque foi responsável pelo revestimento das fachadas exteriores a azulejos verdes e brancos, sendo que no topo se destaca uma cercadura com motivos florais e a porta se encontra rodeada por uma composição de inspiração Arte Nova. O ‘Castelinho’ é composto por dois pisos e um terraço no topo; no interior, uma enorme escada em caracol de madeira cuidadosamente trabalhada dá acesso aos diversos espaços, sendo também de sublinhar o magnífico trabalho de estuques ornamentais nos tectos e paredes. No interior denotam-se vestígios da ocupação enquanto estabelecimento de ensino, subsistindo laboratórios, salas de aula, biblioteca e cozinha, bem como placas nas portas mencionando a função de cada espaço – de mencionar que também os armazéns de alfaias agrícolas provenientes da Quinta da Torrinha foram progressivamente adaptados a laboratórios.

Com a construção de dois novos pavilhões na década de 60 (Tecnologia, 1961, e Biologia, 1967), o ‘Castelinho’ foi perdendo as suas funções lectivas. Em 1975, sofrera obras de reconstrução na parte Norte, sendo retirada a estrutura de ferro envidraçado por uma parede de tijolo, bem como uma escada em caracol do exterior. Nos anos 80, albergava ainda a secretaria, biblioteca e um laboratório de investigação funcionando de modo precário. Actualmente permanece rodeado de um jardim.

Relevância

O edifício designado como ‘Castelinho’ assume extrema relevância, sobretudo no que à história da Faculdade de Farmácia concerne. Permite uma compreensão da evolução do ensino e das respectivas condições ao longo de décadas, sendo imprescindível a sua actual preservação e recuperação. Constitui igualmente um marco importante para a Universidade de Lisboa, por ter estado na origem da definição do local que futuramente veio a ser ocupado pela Cidade Universitária, exemplificando simultaneamente a prática oitocentista e novecentista de ocupação de edifícios preexistentes (predominantemente habitacionais e conventuais) para servirem como estabelecimentos de ensino superior.

Utilização

O edifício não tem actualização actualmente.

Classificação

Inexistente.

Observações

A Faculdade de Farmácia possui uma colecção de mobiliário histórico, proveniente quer do ‘Castelinho’ quer da Escola de Farmácia (c. 20 peças).

Bibliografia

C. Silveira et al, ‘A Quinta da Torrinha e as instalações da Faculdade de Farmácia de Lisboa’, Medicamento, História e Sociedade (1986), ano II, nº 4, pp. 37/1-41/5.



Autor: Ana Mehnert Pascoal

Levantamento do Património Histórico, Científico e Artístico da Universidade de Lisboa:

Castelinho (Quinta da Torrinha)

Pelo Grupo de Trabalho constituído por Marta Lourenço, Ana Mehnert Pascoal e Catarina Teixeira

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