Edíficio do Observatório Astronómico de Lisboa

Da Memória da Universidade

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Edíficio do Observatório Astronómico de Lisboa. Foto: Rui Agostinho, cortesia OAL.

Edíficio do Observatório Astronómico de Lisboa. Observatório Astronómico de Lisboa, mandado construir por D. Pedro V. Local.: Tapada da Ajuda. Endereço: Tapada da Ajuda, 1349-018 Lisboa. Coord.: 38° 42' 38" N, 9° 11' 15" OLatitude: 38.71051565561291
Longitude: -9.187480339544674
. Tutela: Observatório Astronómico de Lisboa, Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Arquitecto/Autor: Jean Colson. Constr.: 1860-1878. Página Web: http://www.oal.ul.pt/. Assunto: Património Histórico, Científico e Artístico da Universidade de Lisboa, Percursos na Universidade, Topografia da Universidade.

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Enquadramento institucional e legal

Na UL desde 1995, o OAL possui Regulamento próprio e a preservação, estudo e divulgação do seu património estão consignados no artigo 2º.

Nota histórica

O Real Observatório Astronómico de Lisboa, mandado construir por D. Pedro V, é um exemplo de uma tipologia científica cuja necessidade de acolhimento de instrumentos de astronomia muito específicos tornam este conjunto edificado num objecto de forte carácter técnico. Cumpre igualmente uma função representativa, expressando o desejo de monumentalidade e de afirmação do orgulho nacional. O impulso para a criação do Observatório resultou da procura de Faye (1814-1902) e Struve (1793-1864), dois astrónomos de reputação mundial, do melhor local para a realização de observações que poderiam resolver a controvérsia da determinação exacta da paralaxe de uma estrela. Ambos eram da opinião que Lisboa dispunha de condições excelentes. O Conde do Lavradio (1797-1870) defende, na Câmara dos Pares em 1850, que os astrónomos portugueses não poderiam deixar por mãos alheias uma realização de tamanha importância. Para a construção do Observatório, foi então criada uma Comissão presidida por José Feliciano da Silva Costa (1797-1866) e impulsionada essencialmente por Filipe Folque (1800-1874) que encarregou, mais tarde, Frederico Augusto Oom (1830-1890) do acompanhamento da obra. Os primeiros esboços e o projecto de execução são da autoria do arquitecto francês Jean Colson que, mediante indicações da Comissão, terá tido como base de trabalho as indicações de Struve e os desenhos do Observatório de Pulkova na Rússia. Oom é o autor da maioria das soluções técnicas dos alçapões e maquinismos. No que diz respeito ao tratamento arquitectónico, a obra terá sido acompanhada também pelos arquitectos José da Costa Sequeira (1800-1872) e Valentim José Corrêa (1822-1900). No caso da torre girante, sabemos que foi totalmente redesenhada por Oom, sendo que, apenas um desenho seria da autoria de Sequeira. A torre girante terá sido construída em ferro por uma empresa alemã, transportada em peças desde em Hamburgo até Lisboa e montada novamente no Observatório. No que diz respeito aos edifícios de habitação, que só foram totalmente concluídos próximo da viragem do século, para além de reconhecermos a assinatura de Corrêa, os desenhos que encontramos são provavelmente da autoria de técnicos do Min. da Obras Públicas, Com. e Ind.

Relevância

O OAL é o observatório nacional português pelo que a sua importância científica e histórica, em conjunto com a sua colecção, biblioteca e arquivo, não tem par em no país. Em conjunto com o pequeno Observatório Astronómico da Politécnica (Museu de Ciência) constituem os dois únicos Observatórios históricos que restam no país.

Utilização

O edifício central é regularmente visitado por grupos escolares e universitários, assim como por público geral mediante marcação prévia. Mensalmente realizam-se palestras públicas sobre temas relacionados com a Astronomia. Esporadicamente, realizam-se no Observatório outras actividades, como por exemplo lançamento de livros, conferências, aulas de mestrado e gravação de programas televisivos. Desde Maio de 2004 que decorre o Projecto de Investigação “Fundamentação de Critérios para a Musealização do Observatório Astronómico de Lisboa” financiado pela FCT (POCTI/HAR/48711/2002) e levado a cabo pela Faculdade de Ciências da UL e pela Faculdade de Arquitectura da UTL. Nos antigos edifícios de habitação, o uso foi alterado no edifício Leste para a instalação da administração do Observatório e do Centro de Astrofísica da Faculdade de Ciências de Lisboa. O edifício de habitação Oeste manteve até hoje o seu uso inicial, apesar de se verificar uma gradual desocupação. O conjunto edificado é também objecto de estudo de uma dissertação de mestrado de arquitectura em curso. O OAL continua a cumprir funções de serviço público como observatório nacional, nomeadamente o estabelecimento da hora legal e a publicação de dados astronómicos (almanaques e astronovas).

Classificação

Classificado no conjunto da Tapada da Ajuda (IIP, Dec. n.º 5/2002, DR 42 de 19 Fev. 2002).

Estado de Conservação

A última grande intervenção de restauro data de 2000, e foi levada a cabo pela DGEMN. De uma maneira geral, o edifício central e encontra-se em bom estado de conservação. No entanto, têm-se verificado alguns problemas de manutenção que carecem de resolução imediata, como a recente deformação de uma das portadas da torre girante e o estuque do tecto a Noroeste na galeria da sala central (no rés-do-chão), que caiu em Dezembro de 2006. Estruturalmente, foi detectado um assentamento diferencial na zona da entrada principal (que estará a ser monitorizada pelos técnicos da DGEMN). Este assentamento provocou a abertura de fendas consideráveis no piso superior e a consequente entrada de humidade. Na galeria do piso superior, a Norte, também se verificam alguns sinais de humidade nas paredes que provocam o decaimento da tinta. Nos edifícios anexos, o estado de conservação é variável. Desses edifícios, os de maior envergadura e relevância são os antigos edifícios de habitação e as duas torres de observação a Sul do edifício central. As duas torres estão em mau estado de conservação, sendo que o mecanismo de rotação e abertura da torre a Sudeste não funcionam. Quanto aos antigos edifícios de habitação, o edifício Leste, devido à sua utilização permanente, têm sido alvo de algumas obras de transformação e manutenção, encontrando-se descaracterizado o seu uso inicial, mas em estado de conservação razoável. Ao contrário do edifício de habitação Oeste que manteve até aos nossos dias o seu uso inicial, tendo sido gradualmente desabitado. Nesse edifício não foi realizada uma regular manutenção à excepção da recepte obra de recuperação da cobertura. O edifico de habitação Oeste mantém ainda as características construtiva originais, mas, encontra-se em avançado estado de degradação. No que diz respeito ao jardim envolvente, mantém ainda algumas as espécies exóticas originais, sendo, no entanto necessário um trabalho de reconstituição do desenho original através da eventual reposição de canteiros.

Observações

Por se tratar de um conjunto edificado com estruturas móveis originais do século XIX, necessita de maiores cuidados de manutenção. Para além da adaptação das actuais técnicas construtivas de acordo com uma manutenção que respeite a natureza dos materiais, madeiras, alvenaria e acabamentos originais, acrescenta-se a complexidade da manutenção de estruturas em ferro móveis, como são as portadas, tampas e a torre girante.

Bibliografia

  1. Oom, F. A. 1875. Considerações acerca da organização do Real Observatório Astronómico de Lisboa. Lisboa: Imprensa Nacional.
  2. Queirós, F.A.F., 1973. D. Pedro V e a educação: ideário pedagógico de um rei. Porto: Faculdade de Letras (Apêndice da pág. 51 a 55 [Relatório de Filipe Folque sobre o Observatório Astronómico de Lisboa]).
  3. Raposo, P. 2006. A Vida e a Obra do Almirante Campos Rodrigues. Dissertação não publicada de Mestrado em História e Filosofia das Ciências, Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.
  4. Ribeiro, J.S., 1871. O Real Observatório Astronómico de Lisboa Notícia Histórica e Descriptiva. Lisboa: Typographia da Academia Real das Ciências.



Autor: Rita Gomes Batista (FA-UTL)


Levantamento do Património Histórico, Científico e Artístico da Universidade de Lisboa:

Edíficio do Observatório Astronómico de Lisboa

Pelo Grupo de Trabalho constituído por Marta Lourenço, Ana Mehnert Pascoal e Catarina Teixeira

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