Gravuras incisas de Almada Negreiros da Faculdade de Letras

Da Memória da Universidade

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Pórtico de entrada da Faculdade de Letras, decorado com gravuras incisas de Almada Negreiros. (Foto: A. M. Pascoal, Cortesia FL)

Gravuras incisas de Almada Negreiros da Faculdade de Letras. Tipo: Arte Integrada. Local.: Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. URL: http://www.fl.ul.pt. Tutela: Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Criador: Almada Negreiros (1893-1970). Cobertura: Século XX. Construção: 1961. Dimensão:20 composições distintas. Assunto: Património Histórico, Científico e Artístico da Universidade de Lisboa.

Enquadramento institucional e legal

A colecção está localizada na Faculdade de Letras (FL), embora não exista qualquer referência à mesma nos seus estatutos (Diário da República, 2ª série, nº 39, 25-2-2009).

Na UL desde

1961.

Nota histórica e descritiva

Tal como sucedeu nos restantes edifícios projectados por Pardal Monteiro para a Cidade Universitária de Lisboa, Almada Negreiros decorou o pórtico de entrada da Faculdade de Letras com gravuras incisas coloridas.

O artista representou vinte cenas distintas, aludindo a figuras e alegorias da literatura universal e portuguesa, através de desenhos concisos e muito expressivos, fruto de um pormenorizado estudo literário. Embora José-Augusto França refira que este caso “terá tido menos interesse para o artista”, as gravuras fixadas atestam a qualidade extrema do desenho de Almada Negreiros.

Seguindo uma evolução cronológica, Almada concebeu um verdadeiro historial da literatura, gravado na pedra três anos após a inauguração do edifício, em 1961. Assim, a decoração inicia-se com a bíblica Expulsão do Paraíso (Livro do Génesis 3, 1-23), passando por obras clássicas no primeiro pano: Prometeu Agrilhoado de Esquilo, Odisseia de Homero e Eneida de Virgílio. No seguimento surgem Santo António de Lisboa, A Divina Comédia de Dante Alighieri, Auto da Lusitânia de Gil Vicente e D. Quixote de la Mancha de Miguel de Cervantes; sobre a porta de entrada, Os Lusíadas de Luís Vaz de Camões, fixando Vasco da Gama ante a Máquina do Mundo (Canto X, estrofes 74-91). O pano sequente inicia-se com a Torre de Montaigne (que substituiu a ideia inicial do artista de representar o ‘modo de figurar uma batalha’, do Código Atlântico de Leonardo da Vinci), passando pela Peregrinação de Fernão Mendes Pinto, Hamlet de William Shakespeare e Fausto de J. W. Goethe. Na última fachada, à excepção da alusão a Dostoiévski, todas as imagens se reportam a obras de autores portugueses: Eurico, o Presbítero de Alexandre Herculano, Viagens na minha terra de Almeida Garrett, Soneto à Virgem de Antero de Quental, Correspondência de Fradique Mendes de Eça de Queirós, Heterónimos de Fernando Pessoa (Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Álvaro de Campos) e O Menino de sua mãe de Fernando Pessoa.

Constituindo-se como um hino à literatura em que se notabilizam pontos-chave presentes na memória colectiva portuguesa e internacional, privilegiaram-se momentos de tensão e uma ilustração da vitória do Bem sobre o Mal.

Relevância

As gravuras incisas criadas por Almada Negreiros para a Faculdade de Letras integram-se no conjunto dos três edifícios de Pardal Monteiro na Cidade Universitária, e adaptam-se particularmente ao programa específico deste edifício. Assim, assumem relevância pelo seu cariz distinto e único em termos iconográficos, reunindo um manancial de representações literárias muito diversificado, que não se repete em outras composições que Almada elaborou – quer para edifícios públicos, quer atendendo a encomendas privadas. Acresce o facto de este tipo de técnica plástica ser pouco frequente, e de não ser conhecida a sua utilização noutros edifícios universitários patrocinados pelo Estado Novo, o que mais enaltece o seu carácter unívoco a nível nacional.

Utilização

As gravuras detém funções decorativas e de nobilitação do espaço.

Estado do inventário

A colecção não se encontra incluída em qualquer tipo de inventário.

Documentação

Não se encontrou documentação associada. No entanto, refira-se a existência de uma fotografia do que se presume ser o estudo prévio de Almada para esta obra, existente no arquivo fotográfico da Secretaria-Geral do Ministério da Educação.

Pessoal

Não existe pessoal directamente afecto à colecção.

Bibliografia

“Almada – do Génesis a Fernando Pessoa”, Suplemento ‘Vida Literária’ nº 157, Diário de Lisboa, 27 de Julho de 1961, pp. 13 e 15.

J.-A. França, Almada. O Português sem Mestre, Estúdios de Cor, Lisboa, 1974.

A. M. Pascoal, A Cidade do Saber. Estudo do Património Artístico Integrado nos edifícios projectados pelo arquitecto Porfírio Pardal Monteiro para a Cidade Universitária de Lisboa (1934-1961), Dissertação de Mestrado em Arte, Património e Teoria do Restauro, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 2010 (não publicado).



Autor: Ana Mehnert Pascoal

Levantamento do Património Histórico, Científico e Artístico da Universidade de Lisboa:

Gravuras incisas de Almada Negreiros da Faculdade de Letras

Pelo Grupo de Trabalho constituído por Marta Lourenço, Ana Mehnert Pascoal e Catarina Teixeira

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