Jardim Botânico de Lisboa

Da Memória da Universidade

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Pormenor de palmeira Washingtonia robusta. (Foto: J. Cardoso, cortesia JB/MNHN)

Jardim Botânico da Universidade de Lisboa. Local.: Departamento de Botânica do Museu Nacional de História Natural. URL: http://www.mnhnc.ul.pt/portal/page?_pageid=418,1391168&_dad=portal&_schema=PORTAL. Tutela: Departamento de Botânica do Museu Nacional de História Natural. Criador: Breyner, Francisco Manuel de Melo. Contribui: Goeze, Edmund, Daveau, Jules. Cobertura: Séc. XIX. Dimensão:4 hectares; 1500 espécimes de um total de 1300 espécies. Assunto: Património Histórico, Científico e Artístico da Universidade de Lisboa.

Enquadramento institucional e legal

O Museu Nacional de História Natural é referido nos recentes Estatutos da Universidade de Lisboa (2008) no Artigo 3º do Anexo, como Unidade da Universidade de Lisboa mas ainda não sofreu revisão estatutária. O Jardim Botânico é parte integrante do Museu Nacional de História Natural (Despacho nº 11002/2003). O MNHN, por sua vez, encontra-se devidamente contemplado nos Estatutos da UL (Despacho normativo 144/92). O Jardim está classificado como Monumento Nacional (Decreto nº 18/2010, DR, nº 250 de 28 de Dezembro de 2010) e integrado na ZEP (Port. nº 529/96, DR 228, I Série-B de 01 Outubro 1996).

Na UL desde

1911.

Nota Descritiva e Histórica

Desde o início de funcionamento da Escola Politécnica, fundada em 1837, foi sentida a necessidade de um jardim botânico que apoiasse o ensino e investigação da Botânica.

O primeiro jardim utilizado pelos alunos da Politécnica foi o Jardim Botânico da Ajuda, cuja tutela científica e administrativa passou para a Escola em 1839. Em 1873 iniciam-se os trabalhos para instalação do novo Jardim, por iniciativa do Conde de Ficalho (1837-1903). Está aberto ao público desde o início de funcionamento, em 1878 (à excepção do período entre 1923 e 1932, por danos causados por visitantes menos bem comportados). O edifício do Herbário data dos anos 1930-1940 e a actual estufa foi construída nos anos 60, substituindo uma outra, de ferro, que estava muito degradada quer pelo uso quer pelos bombardeamentos de 1927. Consta de duas partes distintas – uma parte plana, dedicada à sistemática botânica e uma parte em declive suave que constitui a colecção de árvores e de arbustos (arboreto). O acesso é feito actualmente por apenas uma entrada paralela ao edifício

Relevância

O primeiro aspecto a salientar é a grande beleza do Jardim Botânico, que alia uma enorme diversidade de espécies (cerca de 1300 para 1500 espécimes) ao elevado número de recantos e declives que convidam à sua descoberta demorada. Algumas árvores são particularmente interessantes pela sua monumentalidade e porte. A notável diversidade de palmeiras, vindas de todos os continentes, confere inesperado cunho tropical a alguns recantos.. As cicadáceas são outro ex-líbris; autênticos fósseis vivos, representam floras antigas, que só sobreviveram em alguns recantos do mundo. É particularmente rico em espécies tropicais originárias da Nova Zelândia, Austrália, China, Japão e América do Sul, o que atesta as peculiaridades dos diferentes microclimas aqui criados pela topografia do terreno. Apesar de ter apenas 4 ha, cumpre funções de jardim nacional, quer pela universalidade da sua colecção – onde estão representados todos os continentes – quer ainda pela qualidade e quantidade de colecções associadas (herbários, xilotecas, banco de sementes). Assim, o Jardim Botânico tem uma tripla relevância: (i) científica, associada ao conhecimento e à preservação da biodiversidade botânica; (ii) ensino, em particular da botânica e educação ambiental para todos os grupos etários e, não menos importante, (iii) social, já que é também um jardim de lazer, um oásis de silêncio e de pureza atmosférica no meio da cidade de Lisboa. Trata-se do primeiro Jardim Botânico português em vias de classificação como monumento nacional (os Jardins Botânicos da Universidade de Coimbra e da Ajuda estão classificados como ‘imóveis de interesse público’).

Utilização

O Jardim Botânico está permanentemente aberto ao público e tem cerca de 80 mil visitantes por ano. Para além do público em geral, do qual uma percentagem significativa é estrangeira, é utilizado por professores e estudantes da Universidade de Lisboa (visita obrigatória para a licenciatura em Biologia da Faculdade de Ciências) e de outras universidades públicas e privadas portuguesas. Além de visitas guiadas, há ainda um vasto leque de actividades educativas, para grupos escolares e famílias. A colecção do Jardim é ainda utilizada para a investigação em Biologia, estando em curso vários projectos da FCT, internacionais (LIFE e EU, FP7) e parcerias com instituições privadas e públicas, municipais e regionais.

Estado do inventário

A colecção do Jardim encontra-se catalogada e os espécimes identificados com o nome científico, o nome comum, quando conhecido, e o local de origem. No entanto não existe uma base de dados actualizada com as espécies presentes e o seu estado de preservação.

Documentação

Existe documentação e publicações sobre a colecção do Jardim desde o seu início. Para além disso, o Arquivo Histórico do Museu de Ciência (que incorporou o arquivo geral da Escola Politécnica) possui documentação institucional relevante sobre a 9ª Cadeira – Botânica – e sobre o Jardim, nomeadamente dados relativos à sua construção, professores, alunos e conteúdos curriculares.

Pessoal

Especificamente a cargo da colecção do Jardim, existem cinco funcionários – um encarregado, um jardineiro do quadro de pessoal e três jardineiros do fundo de desemprego.

Bibliografia

C. N. Tavares, Jardim Botânico da Faculdade de Ciências de Lisboa. Guia, Imprensa Portuguesa, Porto, 1967.




Autor: Marta C. Lourenço, com o apoio de Maria Amélia Martins-Loução (MNHN) [2007; revisto em 2010]

Levantamento do Património Histórico, Científico e Artístico da Universidade de Lisboa:

Jardim Botânico de Lisboa

Pelo Grupo de Trabalho constituído por Marta Lourenço, Ana Mehnert Pascoal e Catarina Teixeira

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