Banco de Sementes ‘António Luís Belo Correia’ (séc. XX)

Da Memória da Universidade

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Um exemplar da Flora Portugesa conservado no Banco de Sementes: Lomelosia simplex (Desf.) Raf. (Fotos: A. Clemente, cortesia Jardim Botânico/MNHN)

Banco de Sementes ‘António Luís Belo Correia’ (séc. XX). Local.: Museu Nacional de História Natural. URL: http://www.mnhnc.ul.pt/portal/page?_pageid=418,1391346&_dad=portal&_schema=PORTAL. Tutela: Departamento de Botânica do Museu Nacional de História Natural. Cobertura: Séc. XX. Dimensão:4171 exemplares. Assunto: Património Histórico, Científico e Artístico da Universidade de Lisboa.

Enquadramento institucional e legal

O Museu Nacional de História Natural é referido nos recentes Estatutos da Universidade de Lisboa (2008) no Artigo 3º do Anexo, como Unidade da Universidade de Lisboa mas ainda não sofreu revisão estatutária. O Museu Nacional de História Natural é referido nos Estatutos da Universidade de Lisboa (Despacho Normativo nº 144/92). O Banco de Sementes não é explicitamente referido no Estatuto do Museu Nacional de História Natural (Despacho nº 11002/2003), embora se mencione o Jardim Botânico do Museu (que coincide com o Departamento de Botânica).

Na UL desde

1911.

Nota Descritiva e Histórica

O catálogo de sementes Index Seminum, habitual em jardins botânicos de todo o mundo, foi editado em 1878, ano da abertura do Jardim. Este catálogo passou a ser designado Delectus Sporarum et Seminum. Em 1998 o Jardim Botânico aderiu à Associação Ibero-Macaronésica de Jardins Botânicos, que passou a encarregar-se da publicação do catálogo. Na implementação da sua missão de Museu Nacional e de arquivo da biodiversidade portuguesa, o Jardim Botânico (MNHN) possui desde o século XIX uma colecção bastante significativa de sementes, que inclui as colecções históricas de F. Welwitsch, com 100 exemplares recolhidos em Angola (1853-1860), e a colecção de F. Augusto e L. Sobrinho (1956-1968), com 1091 exemplares de diversas proveniências. O Banco de Sementes ‘António Luís Belo Correia’ foi inaugurado em 2001 e dotado de equipamento destinado à conservação de sementes a longo prazo. Actualmente, o Banco de Sementes conserva sementes viáveis de 1178 espécies de plantas, que incluem maioritariamente espécies da flora Portuguesa (c. 70% da colecção) mas também algumas do Jardim Botânico. Esta colecção é acompanhada por uma colecção de referência, a Espermateca, com 1608 exemplares.

Relevância

Qualquer colecção de história natural tem uma função de repositório único da biodiversidade, actual e passada. O Banco de Sementes ‘António Luís Belo Correia’ tem uma dupla relevância: por um lado, constitui uma colecção de referência de sementes da flora portuguesa e internacional e, por outro, contribui para a conservação de informação e de recursos genéticos da flora portuguesa, particularmente relevante no caso de espécies ameaçadas ou extintas. A colecção de sementes recolhida no Alqueva, antes da construção da barragem, constitui uma base de dados genética bastante importante, com um total de 134 espécies pertencentes a 58 famílias de plantas nativas da área que entretanto foi submersa. O Banco de Sementes conserva actualmente cerca de 30% da flora Portuguesa e 27% da flora protegida pela Directiva Habitats (92/43/CEE) e inclui no seu plano estratégico a conservação de sementes e a participação em acções de conservação in situ de espécies endémicas, raras, vulneráveis, ameaçadas, em perigo de extinção, ou legalmente protegidas, ao abrigo de um protocolo de colaboração estabelecido com o Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade em 2008. O Banco de Sementes é a única instituição do género em Portugal continental a implementar as normas internacionais para a conservação de sementes a longo prazo e a integrar a Rede Europeia de Bancos de Sementes (ENSCONET).

Utilização

O Banco de Sementes é utilizado para fins de conservação de sementes e respectiva informação, para a investigação em projectos nacionais ou internacionais específicos e para acções de re-introdução de espécies. Serve ainda para trocas regulares de sementes com outras instituições congéneres (c. 100 amostras trocadas por ano).

Estado do inventário

Actualmente a colecção está informatizada e a sua base de dados encontra-se em reestruturação para poder ficar disponível ao público.

Documentação

A informação científica relevante (espécie, data da colheita, colector, local, etc.) encontra-se associada a cada exemplar colhido no campo. É ainda efectuada a colheita de um exemplar para herbário, que se encontra depositado em LISU (designação internacional dos Herbários do Jardim Botânico/MNHN). A posterior caracterização do exemplar (quantidade, viabilidade, percentagem de germinação, condições de armazenamento, etc.) encontra-se igualmente documentada em base de dados.

Pessoal

Coordenador: Maria Amélia Martins-Loução. Curador do Banco de Sementes: Adelaide Clemente (bolseira de pós-doutoramento da FCT). Responsável pelo Delectus Sporarum et Seminum: Maria Teresa Antunes. Pessoal técnico: Domitila Brocas, auxiliar técnica contratada a termo, responsável pela execução técnica das metodologias de conservação.

Observações

O Banco de Sementes é membro da Rede Europeia de Bancos de Sementes (ENSCONET) e assinou um protocolo de colaboração com o Instituto para a Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB), ao abrigo do qual desenvolve projectos de conservação de espécies endémicas, raras e ameaçadas como Convolvulus fernandesii, Narcissus fernandesii e Omphalodes kuzinskyanae. O Banco de Sementes é também parceiro em projectos internacionais e participa activamente na formação avançada (teses de Mestrado, estágios LEONARDO). Actualmente o curador do Banco de Sementes é um bolseiro financiado por outra instituição, com um contrato de curta duração, pelo que é urgente a contratação de um técnico superior para gestão e conservação desta colecção.

Bibliografia

Algumas edições de Delectus Sporarum et Seminum acessíveis online em http://www.jb.ul.pt/publica.htm, última edição disponível em http://www.aimjb.org/.

Draper, D. (coord.) 2004. Criação de um Banco de Sementes representativo da flora afectada pela construção da Barragem do Alqueva (II Fase). Relatório Final. Jardim Botânico/Museu Nacional de História Natural, Lisboa.

ENSCONET, www.ensconet.eu.

Farinha, P. 2002. O muro das tentações. Alqueva. Conservação. National Geographic, Set., pp. 22-31.

Clemente, A. & Martins-Loução, MA. 2009. Protocolos e recomendações da ENSCONET para a conservação de sementes. Tradução da versão inglesa produzida no âmbito da ENSCONET, Royal Botanic Gardens, Kew (Ed.), ISBN: 978-84-692-6456-0, www.ensconet.eu.



Autor: Marta C. Lourenço, com o apoio de Adelaide Clemente, Maria Teresa Antunes (MNHN) e Maria Amélia Martins-Loução (MNHN) [2007; actualizada em 2010]

Levantamento do Património Histórico, Científico e Artístico da Universidade de Lisboa:

Banco de Sementes ‘António Luís Belo Correia’ (séc. XX)

Pelo Grupo de Trabalho constituído por Marta Lourenço, Ana Mehnert Pascoal e Catarina Teixeira

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