Colecção de Antropologia ‘Luís Lopes’

Da Memória da Universidade

Ir para: navegação, pesquisa
Foto: G. Ramalhinho, Cortesia Museu Bocage.

Colecção de Antropologia ‘Luís Lopes’, ou Colecção de Antropologia ‘Luís Lopes’ do MNHN. Local.: Museu Nacional de História Natural. URL: http://www.mnhnc.ul.pt/. Tutela: Departamento de Zoologia e Antropologia/Museu Bocage do Museu Nacional de História Natural. Cobertura: Séc. XX. Dimensão:1700 esqueletos humanos identificados. Assunto: Património Histórico, Científico e Artístico da Universidade de Lisboa.

Enquadramento institucional e legal

A colecção é propriedade do Museu Nacional de História Natural (MNHN). O MNHN é referido nos Estatutos da Universidade de Lisboa (Despacho Normativo nº 144/92) e tem estatuto próprio em vigor (Despacho nº 11002/2003). As colecções não são explicitamente mencionadas no Estatuto.

Na UL desde

1980.

Nota descritiva e histórica

A colecção foi iniciada na década de 80 do século XX, por Luís Lopes, com o objectivo de suprir o espólio destruído no incêndio. Para esse fim, o Museu Bocage obteve permissão junto dos cemitérios de Lisboa para a recolha de ossadas não reclamadas para estudos científicos. Entre 2001 e 2004 a colecção foi ampliada por Hugo Cardoso com ossadas dos mesmos cemitérios, sobretudo de esqueletos de crianças. É constituída por cerca de 1700 esqueletos.

Relevância

A colecção é relevante porque se trata de uma colecção com um elevado número de esqueletos, particularmente de crianças, porventura das maiores neste aspecto. A dificuldade de obtenção de esqueletos deste grupo etário, sempre escassamente representado, torna particularmente relevante o património existente nesta colecção antropológica. A colecção do Museu Bocage integra, juntamente com um número reduzido de colecções deste género no mundo, um dos maiores acervos de informação biográfica efectiva e potencial sobre os indivíduos uma vez que inclui dados relevantes relativas à causa de morte, naturalidade, sexo, idade, filiação, dados médico-legais, etc.

Utilização

Há a considerar a utilidade da colecção em termos educacionais e pedagógicos, pois representa uma importante fonte de variabilidade morfológica normal e patológica do esqueleto, essencial para estudantes de medicina, medicina dentária, biologia, antropologia e arqueologia. Pode, também, ser de grande utilidade para estudos de doenças osteopatológicas e ortopédicas crónicas ou outras que afectam o esqueleto, especialmente numa época em que os antibióticos ainda não estavam largamente difundidos, assim como outras terapias hoje disponíveis ao serviço da saúde pública. Do mesmo modo o odontologista pode encontrar na colecção dados importantes relativamente à saúde oral e outros aspectos morfo-anatómicos úteis para a prática clínica. Estas colecções são ainda alvo preferencial em estudos paleantropológicos, na comparação de espécimes fósseis com actuais. Finalmente, um dos aspectos mais importantes da colecção é o facto de poder ser utilizada para reconstruir a vida a partir de restos ósseos, uma vez que o investigador pode correlacionar os dados biológicos disponíveis e utilizar métodos e técnicas que lhe permitam inferir dados de espécimes não identificados. Este aspecto é particularmente importante para estudos arqueológicos, onde é preciso reconstruir a vida de uma comunidade inteira a partir de restos ósseos, mas é igualmente importante para investigações médico-legais e forenses, onde é fundamental fazer a identificação de indivíduos a partir dos seus esqueletos. A reconstrução da vida de populações humanas do passado e a identificação de indivíduos no contexto forense desempenham, actualmente, um papel científico-social muito importante. Dada a singularidade da colecção, esta é procurada por diversos investigadores europeus e norte-americanos.

Estado do inventário

A colecção está inventariada e informatizada, podendo a base de dados ser fornecida em suporte digital (DVD ou CDROM), porém requer uma revisão exaustiva e aguarda um formato mais adequado.

Documentação

Como em qualquer colecção científica, a documentação é de primordial importância senão o espécimen tem reduzido valor. Todos os espécimens da colecção de antropologia possuem proveniência bem determinada e informação associada, nomeadamente dados relevantes relativas à causa de morte, naturalidade, sexo, idade, entre outras informações.

Pessoal

Actualmente não existe ninguém afecto à colecção. O investigador (Hugo Cardoso) que tomava conta da colecção há vários anos encontra-se actualmente no Porto. É urgente a integração de um investigador que se ocupe da colecção.

Bibliografia

Cardoso H. in press. Contribution to the History of Portuguese Physical Anthropology: The Bocage Museum (National Museum of Natural History, Lisbon, Portugal) and its Identified Human Skeletal Collections. Publicações Avulsas do Museu Bocage, Lisboa.

Cardoso H. 2005. Patterns of Growth and Development of the Human Skeleton and Dentition in Relation to Environmental Quality. Tese de Doutoramento em Antropologia. McMaster University, Hamilton.

Cardoso H. 2006. The Collection of Identified Human Skeletons housed at the Bocage Museum (National Museum of Natural History) in Lisbon, Portugal. American Journal of Physical Anthropology 129: 173-176.

Macedo M. 2006. Os casos forenses da colecção de esqueletos do Museu Nacional de História Natural de Lisboa. Tese de mestrado em Medicina Legal e Ciências Forense. Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa.

MacLaughlin, S. 1990. Epiphyseal Fusion at the Sternal End of the Clavicle in a Modern Portuguese Skeletal Sample. Antropologia Portuguesa 8: 59-68.

Matos V. 2003. Incursões no Trilho da Tuberculose Pulmonar. Diagnóstico Diferencial com Base no Estudo da Colecção de Esqueletos Identificados do Museu Bocage. Tese de Mestrado em Evolução Humana. Universidade de Coimbra.

Matos V & A. L. Santos 2006. On the trail of pulmonary tuberculosis based on rib lesions: results from the Human Identified Skeletal Collection from the Museu Bocage (Lisbon, Portugal). American Journal of Physical Anthropology 130: 190-200.

Scheuer L & S. McLaughlin-Black 2000. Developmental Juvenile Osteology. Academic Press Inc., New York.


Autor: Hugo Cardoso (MNHN) e Graça Ramalhinho (MNHN) [2007]

Levantamento do Património Histórico, Científico e Artístico da Universidade de Lisboa:

Colecção de Antropologia ‘Luís Lopes’

Pelo Grupo de Trabalho constituído por Marta Lourenço, Ana Mehnert Pascoal e Catarina Teixeira

Logo-Levantamento-Patrimonio-UL.png
Ferramentas pessoais
Espaços nominais
Variantes
Acções
Navegação
Ferramentas