Herbário de Briófitos/Musgos e Hepáticas (séc. XIX-presente)

Da Memória da Universidade

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O Herbário de Briófitos do Jardim Botânico (MNHN): trabalho de preparação e de identificação de espécimes. (Foto: M. Lourenço, Cortesia Jardim Botânico/MNHN).

Herbário de Briófitos/Musgos e Hepáticas. Local.: Museu Nacional de História Natural. URL: http://www.mnhnc.ul.pt/portal/page?_pageid=418,1391303&_dad=portal&_schema=PORTAL. Tutela: Departamento de Botânica do Museu Nacional de História Natural. Cobertura: Séc. XIX-presente. Dimensão:c. 70.000 exemplares (de um total de 250 mil exemplares de herbários do MNHN). Assunto: Património Histórico, Científico e Artístico da Universidade de Lisboa.

Enquadramento institucional e legal

O Museu Nacional de História Natural é referido nos recentes Estatutos da Universidade de Lisboa (2008) no Artigo 3º do Anexo, como Unidade da Universidade de Lisboa mas ainda não sofreu revisão estatutária. O Museu Nacional de História Natural é referido nos Estatutos da Universidade de Lisboa (Despacho Normativo nº 144/92). Os Herbários (LISU) não são referidos explicitamente no Estatuto do Museu Nacional de História Natural (Despacho nº 11002/2003), embora se mencione o Departamento de Botânica do Museu (que coincide com o Jardim Botânico).

Na UL desde

1911.

Nota Descritiva e Histórica

O Herbário foi iniciado no séc. XIX durante a Escola Politécnica (1837-1911), continuado durante o período da Faculdade de Ciências (1911-década de 1990) e ainda hoje continua a incorporar espécimes – de resto, 75% dos espécimes resultam de colheitas efectuadas após 1980. Possui exemplares de briófitos de todo o mundo, muito em particular de Portugal e da Península Ibérica. A maior parte dos espécimes resultaram de teses e projectos de investigação nacionais e internacionais levados a cabo pela equipa de criptogamia do Jardim Botânico (MNHN). É de destacar as colecções de Welwitsch, Pereira Coutinho, A. Luisier e E.J. Mendes, alem das importantes colecções ibéricas e macaronésicas recolhidas e organizadas por Cecília Sérgio, Manuela Sim Sim e colaboradores, que continua a crescer. O Herbário encontra-se organizado taxonomicamente.

Relevância

Os herbários e, mais geralmente, as colecções de história natural constituem uma fonte primária para a produção de conhecimento sobre a biodiversidade no planeta, actual e ao longo do tempo. Esta constitui a maior colecção de referência de briófitos existente em Portugal e encontra-se associada aos mais importantes centros de investigação portugueses sobre biodiversidade e taxonomia dos macrofungos, líquenes e briófitos, integrados no Jardim Botânico (MNHN). O Herbário integra numerosos espécimes tipos (tipos nomenclaturais), alguns dos quais de taxa exclusivos destas regiões (nota: os espécimes-tipo são exemplares sobre os quais foi feita a descrição de uma espécie, sendo por isso exemplares únicos e apresentando grande valor).

Utilização

Um herbário constitui um arquivo científico, sendo por isso sobretudo destinado à investigação. A exposição não é recomendada por razões de conservação, excepto em situações ocasionais e durante períodos de tempo muito curtos. Na sua dimensão de arquivo, o Herbário é utilizado em projectos de investigação associados à preparação de Catálogos e Novas Floras Ibéricas. Para além disso, salienta-se a função deste herbário em estudos de conservação, nomeadamente como suporte na avaliação de alterações ambientais quer no espaço quer no tempo. Assim, os dados de biodiversidade avaliados a partir de colecções do Jardim Botânico (MNHN), algumas com mais de 150 anos, são de grande utilidade para a sociedade contemporânea. Estudos recentes têm possibilitado a delimitação de áreas de interesse biológico, a pesquisa sobre a introdução de plantas exóticas e sua expansão ao longo do tempo e, no futuro, para a avaliação de possíveis alterações climáticas. Para além disso, o Herbário é utilizado em projectos de investigação nacionais e internacionais associados à a) identificação de padrões de riqueza florística, de endemismos e do reconhecimento de espécies chave; b) avaliação das afinidades biogeográficas entre espécies com distribuições disjuntas; c) validação do potencial genético e sua conservação; d) identificação da distribuição passada, presente e potencial de espécies, com modelação o e predição de áreas de ocorrência e de alterações do ecossistema; e) preparação de Listas Vermelhas e ainda f) como suporte para aplicação de diferentes metodologias, nomeadamente análises moleculares e fitoquímicas. Dada a sua importância nacional, o Herbário possui ainda potencialidades para o ensino, quer na Faculdade de Ciências e Faculdade de Medicina (UL) quer em outras universidades portuguesas. De momento, esta utilização é ocasional, mas pode ser mais preponderante.

Estado do inventário

O Herbário está catalogado em papel e a parte portuguesa também em suporte informático.

Documentação

Num herbário científico, a documentação é de primordial importância pois sem esta a colecção não tem valor. No caso deste Herbário, a documentação relativa aos espécimes encontra-se junto com o próprio exemplar, no interior da respectiva pasta. Tipicamente, esta documentação pode incluir dados relativos à colheita, ao colector, bem como desenhos e artigos científicos.

Pessoal

Cecília Sérgio (FCUL), responsável pelo Herbário; Manuela Sim Sim (FCUL); César Garcia (pós-doutoramento: Flora Briológica da Ilha de São Tomé. Caracterização das comunidades briofíticas. Selecção de indicadores de biodiversidade, bioindicação e conservação); Rui Figueira (colaborador, investigador ligado a projectos); Leena Luís (bolseira doutoramento: Briófitos ripícolas da Ilha da Madeira. Biodiversidade, bioindicação e conservação); David Claro (mestrado); Soraia Martins, Sara Lobo Dias e Sarah Stow (bolseiras de investigação); Iracema Lucas (técnica do quadro do MNHN).

Observações

Incluído nos Herbários de Criptogamia existe ainda um pequeno Herbário de Algas (c. 5.000 exemplares) que não tem de momento pessoal afecto.

Bibliografia

Coutinho, A. X. P. 1917. Musci Lusitanici Herbarii Universitatis Olissiponensis. Imprensa de Manuel Lucas Torres. Lisboa

Coutinho, A. X. P. 1917. Hepaticae Lusitanici Herbarii Universitatis Olissiponensis. Imprensa de Manuel Lucas Torres. Lisboa

Melo, I. 1987. A evolução da botânica no Museu Nacional de História Natural. In F.B. Gil & M.G.S. Canelhas (coord.). Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Passado, Presente, Perspectivas Futuras, pp. 271-289. FCUL, Lisboa.

Sérgio C, Figueira R, Draper D, Menezes R & Sousa AJ. 2007. The use of herbarium data for the assessment of red list categories: Modelling bryophyte distribution based on ecological information. Biological Conservation. 135: 341–351.



Autor: Marta C. Lourenço, com o apoio de Cecília Sérgio (FCUL, MNHN) [2007; actualizada em 2010]

Levantamento do Património Histórico, Científico e Artístico da Universidade de Lisboa:

Herbário de Briófitos/Musgos e Hepáticas (séc. XIX-presente)

Pelo Grupo de Trabalho constituído por Marta Lourenço, Ana Mehnert Pascoal e Catarina Teixeira

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