Herbário de Vandelli (séc. XVIII)

Da Memória da Universidade

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Exemplar do Herbário de Vandelli (Foto: A. I. Correia, Cortesia Jardim Botânico/MNHN)

Herbário de Vandelli (séc. XVIII). Local.: Museu Nacional de História Natural. URL: http://www.mnhnc.ul.pt/portal/page?_pageid=418,1391281&_dad=portal&_schema=PORTAL. Tutela: Departamento de Botânica do Museu Nacional de História Natural. Origem: Museu Nacional de História Natural/Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Cobertura: Séc. XVIII. Dimensão:1500 exemplares (de um total de 250 mil espécimes dos Herbários do Jardim Botânico). Assunto: Património Histórico, Científico e Artístico da Universidade de Lisboa.

Enquadramento institucional e legal

O Museu Nacional de História Natural é referido nos recentes Estatutos da Universidade de Lisboa (2008) no Artigo 3º do Anexo, como Unidade da Universidade de Lisboa mas ainda não sofreu revisão estatutária. O Museu Nacional de História Natural é referido nos Estatutos da Universidade de Lisboa (Despacho Normativo nº 144/92). Os Herbários não são referidos explicitamente no Estatuto do Museu Nacional de História Natural (Despacho nº 11002/2003), embora se mencione o Departamento de Botânica do Museu (que coincide com o Jardim Botânico).

Na UL desde

1911.

Nota Descritiva e Histórica

Trata-se de um Herbário precioso reunido por Domingos Vandelli (1735-1816), um médico nascido em Pádua que veio para Portugal em 1764 contratado pelo Marquês de Pombal. Depois de ter colaborado na reforma da Universidade de Coimbra, leccionou química e história natural e fundou o Museu de História Natural daquela Universidade. Participou activamente na criação da Academia Real das Ciências de Lisboa. Exerceu, entre outros cargos, o de director do Real Museu e Jardim Botânico da Ajuda. Foi na Ajuda que iniciou a constituição deste Herbário, a partir de espécimes recolhidos por alunos e colaboradores incumbidos de diversas expedições a Cabo Verde, Guiné, Angola, Moçambique e Brasil, para além dos espécimes que recebia por permutas ou ofertas. O que restou do seu Herbário após as invasões francesas entrou na Escola Politécnica em 1839 e hoje encontra-se no Jardim Botânico (MNHN). Inclui 3300 espécimes de Algas, Briófitos, Líquenes, Fungos, Gimnospérmicas e Angiospérmicas. Os exemplares são provenientes de todo o mundo e alguns encontram-se decorados a tinta da china. Desconhece-se o número de espécimes-tipo (nota: os espécimes-tipo são aqueles a partir dos quais se descreve uma nova espécie para a ciência, tendo por isso um valor de referência incalculável).

Relevância

A relevância nacional e internacional do Herbário de Vandelli é múltipla. Por um lado, trata-se de um herbário científico, pelo que constitui de per se um arquivo da biodiversidade, importante para estudos de taxonomia e sistemática botânicas. Tem ainda a particularidade de ser um dos herbários mais antigos de Portugal, composto pelas primeiras colheitas efectuadas no contexto do paradigma lineano. Para além disso, dada a personalidade científica de Vandelli e o seu papel ímpar na ciência setecentista portuguesa, trata-se de uma colecção muito relevante para a história da ciência, em particular para a história da botânica em Portugal.

Utilização

O Herbário tem sido regularmente consultado por historiadores da ciência portugueses e estrangeiros. Para além disso, os exemplares são regularmente cedidos para exposições iconográficas sobre cultura e ciência portuguesas no mundo.

Estado do inventário

O Herbário de Vandelli encontra-se inventariado em suporte digital.

Documentação

Num herbário histórico-científico, a documentação é de primordial importância pois sem esta a colecção não tem valor. No caso deste Herbário, a documentação relativa aos espécimes encontra-se junto com o próprio exemplar, no interior da respectiva capa. Muitos exemplares possuem anotações em Latim, Português, Francês e Alemão. Existe ainda alguma corrrespondência complementar ao Herbário, nomeadamente 17 cartas trocadas entre Vandelli e Lineu.

Pessoal

À excepção dos Herbários de Criptogamia, os Herbários do Jardim Botânico estão a cargo de Ana Isabel D. Correia.

Observações

Os herbários de Alexandre Rodrigues Ferreira, D. Vandelli, F. Valorado e F. Avelar Brotero, todos setecentistas, bem como os herbários de F. Welwitsch (séc. XIX) constituem os herbários históricos do Jardim Botânico (MNHN). Os herbários são provenientes do Real Museu e Jardim Botânico da Ajuda.

Bibliografia

A. Fernandes, 'História da Botânica em Portugal até finais do séc. XIX', História e Desenvolvimento da Ciência em Portugal, Academia de Ciências, Lisboa, 1986.

I. Melo, 'A evolução da botânica no Museu Nacional de História Natural', Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Passado, Presente, Perspectivas Futuras (coord. F. B. Gil & M. G. S. Canelhas), FCUL, Lisboa, 1987, pp. 271-289.

C. N. Tavares, Jardim Botânico da Faculdade de Ciências de Lisboa. Guia, Imprensa Portuguesa, Porto, 1967.




Autor: Marta C. Lourenço, com o apoio de Ana Isabel D. Correia (MNHN) e Alexandra Escudeiro (MNHN) [2007; revisto em 2010]

Levantamento do Património Histórico, Científico e Artístico da Universidade de Lisboa:

Herbário de Vandelli (séc. XVIII)

Pelo Grupo de Trabalho constituído por Marta Lourenço, Ana Mehnert Pascoal e Catarina Teixeira

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