Edifício da Reitoria da Universidade de Lisboa

Da Memória da Universidade

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Fachada da Reitoria sobre a Alameda da Universidade. (Foto: A. M. Pascoal, Cortesia RUL)

Edifício da Reitoria. Local.: Alameda da Universidade. Coord.: 38° 45' 10" N, 9° 9' 28" OLatitude: 38.75287
Longitude: -9.15786
. Tutela: Reitoria da Universidade de Lisboa. Arquitecto/Autor: Porfírio Pardal Monteiro (1897-1957), António Pardal Monteiro (n. 1928). Constr.: 1959-1961. Página Web: http://www.ul.pt. Assunto: Património Histórico, Científico e Artístico da Universidade de Lisboa, Percursos na Universidade.

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Enquadramento institucional e legal

O edifício da Reitoria pertence à UL, embora não exista qualquer referência ao mesmo nos seus estatutos (Diário da República, 2ª série, nº 148, 1-8-2008).

Nota descritiva e histórica

A inauguração da Reitoria da Universidade de Lisboa, em Dezembro de 1961, completou o conjunto idealizado por Porfírio Pardal Monteiro e terminado pelo seu sobrinho, António Pardal Monteiro. Abandonou as instalações na Faculdade de Direito, no palacete Valmor no Campo Santana, após em 1959 ter sido transferida das salas cedidas pela Faculdade de Ciências, inapropriadas face aos seus serviços centrais administrativos. Foi então finalmente dada resposta à encomenda feita em 1934 à Comissão Administrativa dos Novos Edifícios Universitários (CANEU).

A Reitoria ergue-se no topo da Alameda da Universidade, em posição central entre as Faculdades de Letras (Edifício principal da Faculdade de Letras) e de Direito (Edifício principal da Faculdade de Direito), inserindo-se harmonicamente no conjunto com as coberturas em terraço e os pórticos com colunatas. Porém, destaca-se pela sua volumetria, que evidencia a Aula Magna, a maior sala do país na altura da inauguração. Denota-se a pretensão monumentalizante e a influência classicista, predominando a intenção programática de transmissão de um espírito de grandiosidade e austeridade, conforme à sua função de sede da Universidade.

Por forma a completar essa imponência, integraram-se obras de arte da autoria de variados artistas, incidindo os temas sobre a glorificação da Universidade de Lisboa e a apologia do Saber. Existem exemplos de gravura incisa (Gravuras incisas de Almada Negreiros da Reitoria), azulejaria na fachada principal, mosaico (Painéis de Mosaico de António Lino), vitral (Vitrais de Lino António), decoração em bronze na guarda da escadaria, pintura lacada (Porta da Aula Magna), pintura mural (Conjunto de Pintura Mural de Daciano da Costa ‘Ad Lucem’), tapeçaria mural da Manufactura de Portalegre (Tapeçaria de Rogério Ribeiro ‘No Limiar da Idade Atómica’), cerâmica (Painel de Cerâmica de Querubim Lapa ‘Glorificação do Trabalho Intelectual’). A decoração de interiores foi concebida por Daciano Costa, sendo o mobiliário do fabrico da Casa Olaio (Colecção de Mobiliário de Daciano da Costa). Em 1985, Hein Semke ofereceu três painéis de azulejos à Reitoria, alusivos a África, Índia e Macau, que executara em 1957 (Painéis cerâmicos de Hein Semke Painéis cerâmicos de Hein Semke ‘África, Índia e Macau’).

Recentemente têm sido feitas intervenções de adaptação do espaço às exigências crescentes e modernas dos diversos serviços que comporta.

Relevância

A Reitoria constitui a peça central do projecto elaborado por Porfírio Pardal Monteiro, integrando-se no núcleo da Cidade Universitária que foi iniciado com a construção do Hospital Escolar. Estes edifícios permitiram a fixação futura de Faculdades e serviços afectos à Universidade de Lisboa. Constitui um marco incontornável da obra do arquitecto, um dos mais profícuos trabalhadores sob as Obras Públicas fomentadas pelo Estado Novo. Encerrando um conjunto de obras artísticas integradas executadas por artistas defensores de estéticas distintas, reflecte de modo peculiar o panorama das artes plásticas portuguesas neste período. Excluindo o Instituto Superior Técnico, a Cidade Universitária de Lisboa da traça de Pardal Monteiro representa a única obra arquitectónica erigida de raiz para o ensino superior durante o regime estado-novista, fora da esfera da congénere coimbrã. Emblema da Universidade de Lisboa, colocou-se num eixo da cidade em expansão; para a capital, e para o País, importa preservar e divulgar este elemento patrimonial que encerra uma parte integrante da nossa memória colectiva.

Utilização

Edifício que comporta e centraliza as funções administrativas e burocráticas da Universidade de Lisboa. Paralelamente a estas actividades e aos actos académicos, são utilizadas e alugadas algumas salas para eventos e espectáculos diversos.

Classificação

Inexistente.

Observações

Existe documentação epistolar e gráfica (plantas, desenhos, etc.) referente ao edifício, desde o seu planeamento até aos dias de hoje: o Forte de Sacavém (IHRU) detém uma parte significativa do espólio do arquitecto Pardal Monteiro; o Núcleo do Arquivo Técnico das Construções Escolares (Ministério da Educação) possui diversa documentação da CANEU; a Divisão de Obras e Manutenção da Reitoria tem à sua guarda bastante material relevante, embora a fracção referente aos anos de construção não se encontre inventariada.

Bibliografia

MOP/CANIU, O Novo Edifício da Reitoria da Universidade de Lisboa, 1961.

P. S. Pedrosa, Cidade Universitária de Lisboa (1911-1950): génese de uma difícil territorialização, Tese de Mestrado em História da Arte/Arquitectura, FCSH-UNL, 2008 (publicado).



Autor: Ana Mehnert Pascoal

Levantamento do Património Histórico, Científico e Artístico da Universidade de Lisboa:

Edifício da Reitoria da Universidade de Lisboa

Pelo Grupo de Trabalho constituído por Marta Lourenço, Ana Mehnert Pascoal e Catarina Teixeira

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