Herbário de Alexandre Rodrigues Ferreira (séc. XVIII-XIX)

Da Memória da Universidade

Revisão das 15h29min de 23 de Janeiro de 2012 por Anamehnertpascoal (discussão | contribs)
(dif) ← Revisão anterior | Revisão actual (dif) | Revisão seguinte → (dif)
Ir para: navegação, pesquisa
Um exemplar anotado pelo próprio A. R. Ferreira (Foto: A. I. D. Correia, cortesia Jardim Botânico/MNHN)

Herbário de Alexandre Rodrigues Ferreira. Local.: Museu Nacional de História Natural. URL: http://www.mnhnc.ul.pt/portal/page?_pageid=418%2C1391281&_dad=portal&_schema=PORTAL. Tutela: Departamento de Botânica do Museu Nacional de História Natural. Criador: Alexandre Rodrigues Ferreira (1755-1815). Cobertura: Sécs. XVIII-XIX. Dimensão:1260 exemplares (de um total de 250 mil espécimes dos Herbários do Jardim Botânico). Assunto: Património Histórico, Científico e Artístico da Universidade de Lisboa.

Enquadramento institucional e legal

O Museu Nacional de História Natural é referido nos recentes Estatutos da Universidade de Lisboa (2008) no Artigo 3º do Anexo, como Unidade da Universidade de Lisboa mas ainda não sofreu revisão estatutária. O Museu Nacional de História Natural é referido nos Estatutos da Universidade de Lisboa (Despacho Normativo nº 144/92). Os Herbários não são referidos explicitamente no Estatuto do Museu Nacional de História Natural (Despacho nº 11002/2003), embora se mencione o Departamento de Botânica do Museu (que coincide com o Jardim Botânico).

Na UL desde

1911.

Nota Descritiva e Histórica

Trata-se de um Herbário histórico precioso reunido por Alexandre Rodrigues Ferreira (1755-1815) e composto sobretudo por espécimes da flora sul-americana (1260 exemplares). Rodrigues Ferreira foi um importante naturalista, discípulo de Domingos Vandelli (1730-1816) e por este incumbido da ‘viagem filosófica’ ao Brasil. Durante essa viagem, que durou nove anos e se realizou entre 1783 e 1792, estudou e recolheu espécimes da flora e da fauna brasileiras, dos quais muitas espécies eram até então desconhecidas para a ciência. Os espécimes florísticos recolhidos durante a ‘viagem filosófica’ (a recolha foi de ponto a ponto, tendo começado com algas do Tejo e Mar dos Sargaços e acabado em Lisboa) constituiu um Herbário muito rico que em parte foi levado para Paris quando das invasões francesas. O que restou ainda é, apesar de tudo, muito significativo e veio da Ajuda para a Escola Politécnica em 1839 (via Academia das Ciências). O Herbário possui um número ainda desconhecido de espécimes-tipo (nota: os espécimes-tipo são aqueles a partir dos quais se descreve uma nova espécie para a ciência, tendo por isso um valor de referência incalculável) e, mais relevante ainda, o Herbário muito possivelmente possui espécimes que nunca foram descritos, por outras palavras, espécies inteiramente novas.

Relevância

O Herbário de Alexandre Rodrigues Ferreira é de uma importância histórica e científica ímpar na Universidade de Lisboa e no país. Para além do valor intrínseco nacional e internacional de arquivo da biodiversidade sul-americana, o Herbário é muito relevante para estudos históricos diversos. Trata-se ainda de um importante testemunho histórico da competência científica e técnica, bem como uma demonstração do poderio português setecentista, visto que a ‘viagem filosófica’ de Rodrigues Ferreira na Amazónia constituiu um empreendimento de grande monta (ainda hoje uma viagem deste tipo o é). A importância do Herbário é grandemente incrementada pelo facto de existir uma outra colecção de Alexandre Rodrigues Ferreira no Museu Nacional de História Natural – a iconografia da ‘viagem filosófica’ (Departamento de Zoologia e de Antropologia, Museu Bocage).

Utilização

O Herbário tem sido regularmente consultado por historiadores da ciência portugueses e estrangeiros.

Estado do inventário

O Herbário de Alexandre Rodrigues Ferreira encontra-se inventariado em suporte digital.

Documentação

Num herbário histórico-científico, a documentação é de primordial importância pois sem esta a colecção não tem valor. No caso deste Herbário, a documentação relativa aos espécimes – as notas do próprio Alexandre Rodrigues Ferreira – encontra-se junto com o próprio exemplar, no interior da respectiva pasta.

Pessoal

À excepção dos Herbários de Criptogamia, os Herbários do Jardim Botânico estão a cargo de Ana Isabel D. Correia.

Observações

Os herbários de Alexandre Rodrigues Ferreira, D. Vandelli, F. Valorado e F. Avelar Brotero, todos setecentistas, bem como os herbários de F. Welwitsch (séc. XIX) constituem os herbários históricos do Jardim Botânico (MNHN). Os herbários são provenientes do Real Museu e Jardim Botânico da Ajuda.

Bibliografia

A. Fernandes, 'História da Botânica em Portugal até finais do séc. XIX', História e Desenvolvimento da Ciência em Portugal, Academia de Ciências, Lisboa, 1986.

I. Melo, 'A evolução da botânica no Museu Nacional de História Natural', Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Passado, Presente, Perspectivas Futuras (coord. F. B. Gil & M. G. S. Canelhas), FCUL, Lisboa, 1987, pp. 271-289.

C. França, 'Doutor Alexandre Rodrigues Ferreira. História de uma missão scientífica ao Brasil no século XVIII', Bol. Soc. Brot. (1922), 2ª sér., I: 65-123.

A. P. Lima, O Doutor Alexandre Rodrigues Ferreira, Agência geral do Ultramar - Divisão de Publicações e Biblioteca, Lisboa, 1953.

C. N. Tavares, Jardim Botânico da Faculdade de Ciências de Lisboa. Guia, Imprensa Portuguesa, Porto, 1967.



Autor: Marta C. Lourenço, com o apoio de Ana Isabel D. Correia (MNHN) e Alexandra Escudeiro (MNHN) [2007; revisto em 2010]

Levantamento do Património Histórico, Científico e Artístico da Universidade de Lisboa:

Herbário de Alexandre Rodrigues Ferreira (séc. XVIII-XIX)

Pelo Grupo de Trabalho constituído por Marta Lourenço, Ana Mehnert Pascoal e Catarina Teixeira

Logo-Levantamento-Patrimonio-UL.png
Ferramentas pessoais
Espaços nominais
Variantes
Acções
Navegação
Ferramentas